terça-feira, 13 de maio de 2014

VIOLÊNCIA

Reconstituição do crime no Arruda durou duas horas

Dois dos três integrantes da Inferno Coral acusados pelo crime voltaram ao Arruda para participar da simulação do homicídio

Publicado em 13/05/2014, 



Do JC Online

 / Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

Dez dias após terem arremessado dois vasos sanitários do corredor de acesso da arquibancada superior – um deles atingiu e matou o torcedor da Jovem do Sport Paulo Ricardo Gomes da Silva, de 26 anos –, dois dos três integrantes da Inferno Coral acusados pelo crime voltaram ao Arruda, na segunda passada (12) para participar da reconstituição do homicídio. A simulação, que chegou a ser cancelada no fim da tarde, acabou acontecendo com atraso, por volta das 19h30, e acabando duas horas depois. No entanto, o trabalho dos peritos corre o risco de ser anulado nos próximos dias. O advogado, que representa Luiz Cabral de Araújo Neto, disse que o seu cliente pode ter sido coagido.
O motivo para o cancelamento da reconstituição durante a tarde foi a recusa dos advogados de Everton Felipe Santiago de Santana, 23 anos, Luiz Cabral, 30, e Waldir Pessoa Firmo Júnior, 34, de deixarem seus clientes participar da etapa da investigação. No entanto, no início da noite, Luiz teria mudado de opinião e aceitado por conta própria fazer parte da simulação. O advogado de Everton, então, também concordou que o mesmo iria colaborar. Waldir seguiu irredutível e não participou.
“Estamos colaborando com as investigações. Isso certamente terá um peso relevante no julgamento”, afirmou o advogado Adelson José da Silva, que defende Everton. O papel de Waldir na reconstituição foi desempenhado por um policial civil.
Os três suspeitos foram pegos no Cotel e chegaram à sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Cordeiro, Zona Oeste do Recife, por volta de 13h30. Ficaram no local durante toda a tarde até serem levados ao Arruda às 19h. Um pouco antes, foi montada uma operação, que contou com 45 homens, entre peritos, policiais da DHPP e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), o que chamou bastante a atenção dos moradores do bairro.
Os peritos repetiram todos os passos dos acusados desde o momento em que voltaram ao Arruda após a partida entre Santa Cruz e Paraná (pelo portão 10), no último dia 2, pela Série B do Brasileiro, até a saída do estádio depois do crime (pelo portão 11). “Para nós, foi muito importante essa reconstituição. Tiramos todas as dúvidas que nos restavam. Sabemos os papéis de cada um”, afirmou o perito Fernando Benavides, do Instituto de Criminalística (IC), sem querer antecipar qual dos dois arremessaram os vasos.
A simulação foi dividida em vários atos, entre eles, a retirada dos vasos sanitários de um banheiro feminino, a caminhada com eles até o parapeito do corredor de acesso da arquibancada superior e o arremesso das privadas, que caíram no ponto exato onde o soldador naval Paulo Ricardo foi atingido. “O mais importante foi que a reprodução do crime foi bastante coerente com os depoimentos dos acusados. Agora, falta pouco para encerrarmos o processo”, disse Joselito Kerhle, diretor de polícia especializada. O inquérito deve ser remetido ao Ministério Público até sábado.

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