terça-feira, 29 de abril de 2014

DEPREDAÇÃO

Monumentos do Circuito da Poesia são alvos de vandalismo

Além de Ascenso Ferreira, outras estátuas estão destruídas e pichadas

Publicado em 29/04/2014, 

Do JC Online

Monumento de Ascenso Ferreira foi depredado no último domingo e ficou sem o rosto, parte do chapéu e dos dedos / Foto: Diego Nigro/ JC Imagem

Monumento de Ascenso Ferreira foi depredado no último domingo e ficou sem o rosto, parte do chapéu e dos dedos

Foto: Diego Nigro/ JC Imagem

Quando era vivo, Ascenso Ferreira passeava com tranquilidade pelo Cais da Alfândega, bairro do Recife. O local foi escolhido para abrigar sua estátua, às margens do Capibaribe, ilustrando sua serenidade ao observar a cidade entre livros. No último domingo, o monumento foi depredado, destruindo rosto, chapéu e mãos do poeta. A degradação reflete também o estado de parte dos outros 11 monumentos que compõem o Circuito da Poesia, criado em 2007 como um roteiro turístico e literário. Além de sujar a imagem da cidade, a destruição sai caro: a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) afirma gastar uma média de R$2 milhões por ano com a recuperação de monumentos públicos alvos de vandalismo.
O responsável por destruir a imagem de Ascenso foi preso ainda no domingo. Segundo o delegado Geraldo da Rocha que efetuou o flagrante, o homem identificado como Welington Germano aparentava ter problemas mentais. “Ele disse ser um latifundiário que tinha perdido as terras, quea estátua tinha danificado o rosto da filha dele. Por isso estava exorcizando a obra”, conta Geraldo. O delegado chegou a estabelecer fiança no valor de R$ 200, que não foi paga, e Welington foi então levado ao Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), onde aguarda o resultado do laudo que irá comprovar se ele possui ou não transtornos mentais, para então ser levado a um hospital de custódia.
A restauração da imagem será feita pela Emlurb, que solicitou o orçamento do reparo ao autor da peça, o artista plástico Demétrio Albuquerque. “Acho que a população tem um carinho pelas estátuas, recebo muitos elogios. O problema é que algumas pessoas que cometem o mal feito não sofrem punição”, lamenta Demétrio. De acordo com o artigo 163 do código penal, quem destruir ou inutilizar o patrimônio público está sujeito a uma pena de 6 meses a três anos de detenção, além de multa. Solicitações de reparo podem ser feitas à Emlurb pelo telefone 156 e informações sobre atos de vandalismo devem ser feitas pelo Disque-Denúncia, o 3421.9595. 
Também às margens do rio, na Rua da Aurora, o monumento de João Cabral de Melo Neto encontra-se com rosto e olhos pichados e uma das luminárias colocadas no chão, quebrada. Na mesma via, mais adiante, Manuel Bandeira perdeu parte dos óculos e do pé, que estão quebrados e com ferro exposto. “Não é legal nem pra gente ver isso, quanto mais para um turista encontrar as estátuas desse jeito”, reclama o estudante Everson Lima, 17 anos. Na Estação Central do Metrô, no bairro de Santo Antônio, a estátua de Luiz Gonzaga também está bastante deteriorada. O músico perdeu o nariz e um dos pés.
Entregue no ano passado com a reforma da Praça do Sebo, no bairro de Santo Antônio, o monumento do jornalista Mauro Mota precisou ter os pés restaurados. “Venho aqui (na praça) desde que a praça foi criada. Esse circuito é muito bom, importante para o pessoal mais jovem saber o valor desses poetas”, diz o vendedor Onofre Pascoal, 69. 

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