domingo, 19 de janeiro de 2014

Reencontro »Agricultor que sofre de glaucoma revê filhas após ter história contada pelo Diario
O aposentado Valdeci dos Santos, 64 anos, nem acreditou quando recebeu o telefonema direto do Rio de Janeiro: era uma das filhas que ele não via há 22 anos. Com a voz embargada, Maria Aparecida dos Santos, 39, contou que também lutava para reencontrá-lo. O contato aconteceu há cerca de duas semanas, quando Maria, fazendo buscas na internet com o nome do pai, viu a reportagem do Diario publicada em 15 de dezembro, contando o drama de Valdeci. Perdendo a visão por causa do glaucoma, ele fazia um apelo para localizar os filhos do primeiro casamento. Na semana passada, a dona de casa Edicilda Maria dos Santos, 35, também filha, que vive em São Lourenço da Mata, o reencontrou. Foi o começo da realização do sonho do aposentado, antes que a escuridão o impeça de olhar nos olhos e pedir perdão aos filhos pela distância. 

No primeiro momento, Valdeci e Edicilda não sabiam o que dizer. Olharam-se por alguns segundos e logo veio o abraço. Enquanto ela chorava aliviada, ele comemorava, sorrindo, a vitória. “Só tenho que dizer que foi muito bom estar ao lado dele. Eu e minhas irmãs passamos muito tempo procurando por notícias do meu pai e da minha mãe. Ela também nos deixou quando éramos pequenas”, disse a dona de casa. Valdeci pensava que a ex-mulher, com quem se casou há 40 anos, estivesse morta. Mas a filha contou que fez pesquisas na internet e descobriu que o CPF dela continua ativo. Um rastro de esperança para reencontrar Josefa Maria dos Santos. 

Durante o encontro com Edicilda, o pai descobriu o destino dos outros filhos. Além de Maria Aparecida, no Rio, Maria José dos Santos, 28, vive em Brasília. “Queria muito viajar para encontrar ele, mas nem eu nem minha irmã temos dinheiro para isso”, lamentou Aparecida. Sandra Maria dos Santos, 36, que também mora em São Lourenço, optou por visitar o pai em particular. Infelizmente, Valdeci recebeu a notícia de que o outro filho, Augustavo Vicente dos Santos, 33, foi assassinado. 

“Só tenho a agradecer por conseguir realizar o sonho de rever meus filhos. Minha vista está cada vez mais fraca. Queria muito poder trazer minhas outras duas meninas para me ver, mas não tenho dinheiro também. Espero conseguir fazer isso pelo menos até o fim do ano”, disse o aposentado

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