Pernambucanos de luto pela morte de Eduardo
Campos

Pernambuco está enlutado desde as 13 horas de ontem. A perplexidade com a tragédia do ex-governador Eduardo Campos tomou as ruas do Recife. Médicos e pacientes espremiam as mãos sobre os rostos na recepção do Hospital particular Santa Joana diante da notícia na TV sobre a queda do avião em que estava o presidenciável. Minutos depois, quando a morte de Eduardo foi confirmada, o silêncio calou a praça de alimentação do Shopping Boa Vista. Clientes choravam a perda da autoridade mais onipresente do estado. Nos bares da Rua Oliveira Lima, no fiteiro da Rua Fernandes Vieira ou nas academias de Boa Viagem, a consternação corria de boca em boca. Por onde se andava, tinha alguém com telefone no ouvido. O trânsito ficou mais livre; o clima era de pesar. Era uma unanimidade incrédula. Milhares de anônimos, simpatizantes ou não, passaram o restante do dia chocados e solidários às famílias de Eduardo Campos e dos assessores dele mortos com a explosão da aeronave.
À tarde, dona Vitória Maria da Silva, governanta da área residencial do Palácio do Campo das Princesas há 35 anos, parecia fora de si. “É um pesadelo. Não sou muito de chorar, mas choro por dentro. E esse, minha filha, é o sentimento mais forte”, confidenciava, depois de pedir para ser entrevistada numa sala mais reservada, a sua preferida, a Sala da Imperatriz. “Eu tenho saudades. Ele foi o mais humano que já passou por aqui”, disse ela. Além de expor sua dor, dona Vitória se dizia intrigada. Ela crê que teve uma premonição ontem por volta das 10 horas.
“Nunca escrevi versos, mas senti vontade de escrever e não sabia de nada do governador, que vi menino aqui com o avô. Sentei num banco deste corredor e escrevi isto (mostra o bilhete que guardava no bolso do fardamento bege)”, narra. Era um texto sem destinatário. No topo da mensagem, dia, mês e hora. Eram 13 linhas, dois parágrafos, cujas linhas dizem assim: “A vida é uma corrida/ corre-corre e vai correndo sem parar até alcançar seus objetivos. Vai subindo degraus/ ladeiras, precipícios, não importa as dificuldades/ ele só faz vencer e vai subindo pelos barrancos/ até no mais alto monte/ até dar seu último grito de liberdade conseguir/ ou dar seu último suspiro.” Evangélica, respeitada entre os colegas, dona Vitória, de 72 anos, prefere não fazer comentários maiores, mas diz que guardará a inspiração como lembrança de Eduardo.
No Palácio, entre os populares, inconsolável estava Gilson Higino da Silva, 47 anos, conhecido por se referir a Eduardo como “pai” e por adorar exibir a foto do ex-chefe na tela principal do seu celular. O orgulho de Gilson é ter sido a primeira pessoa a ser nomeada por Eduardo Campos. “Ele não era um patrão, era um amigo meu.” Falava entrecortando frases. Emocionado, resumiu o sentimento que lhe toma: “Foi a maior tristeza da minha vida.” Gilson trabalhava como ajudante do maitre e, nas festas pessoais de Eduardo, atendia à família do presidenciável. Domingo passado, dia do aniversário do ex-governador, esteve na casa dele. Gilson soube da morte de Eduardo na sala de casa e caiu no pranto. Não o verá mais pedindo macarrão com molho Alfredo e cartola como sobremesa.
Do lado de fora do Palácio, Daniel Ferreira estava arrasado. Foi um dos primeiros na vigília na Praça da República. Levava uma bandeira gigante da campanha de Eduardo. “Vim com a roupa do couro”, disse Daniel, de Rio Doce, Olinda. “Devo minha vida a Deus e a Eduardo”, afirmou o aposentado de 42 anos, ex-motoqueiro. O ex-governador teria atendido ao pedido de um amigo e lhe ajudado quando ele ficou sob risco de vida. “Ninguém merece se acabar desse jeito. A questão não é só a morte. É a forma da morte dele também. É uma perda irreparável para nós pernambucanos.”
O dia de amanhã ninguém sabe. Foi muito triste a morte dele. Quem o assistiu ontem no Jornal Nacional ficou ainda mais triste.”
Darcy Ribeiro, aposentada
Fiquei surpreso de como isso aconteceu. Ele era meu candidato, já tinha votado nele outras vezes. Vi materiais sendo recolhidos das ruas e já fico pensando em quem votarei? Se for Marina não voto.”
Alan Clebson, taxista
Ele tinha posições que eu questionava, mas hoje Pernambuco está de luto. O que aconteceu foi uma tragédia humana e o momento é de pesar.”
Robson Wagner, professo
Acidentes acontecem, mas eu estou passada. Vou votar em quem agora? Está todo mundo abalado, quem chega no posto, comenta. Uma tristeza só.”
Socorro Matias, frentista
Ele não era meu candidato, mas era uma pessoa boa, tinha boas propostas e, acima de tudo, ele fez muito por Pernambuco. Muito triste essa notícia.”
Lais Vasconcelos, estudante
Independente da política e dos posicionamentos foi uma perda de um ser humano, referência para o nosso estado.
Gisele Torres, estudante
Lamento bastante. É uma perda grande para Pernambuco. Minhas divergências com ele eram no campo das ideias. O povo pernambucano está transtornado.
José Pereira, dono de banca de revista
Do Diario de Pe
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