domingo, 17 de março de 2013


De Norte a Sul »Praias de Pernambuco são engolidas pelo mar

Publicação: 17/03/2013 
Enseada dos Corasis vem tendo sua orla gradativamente destruída. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press
Enseada dos Corasis vem tendo sua orla gradativamente destruída. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press
A placa em um dos muros em frente ao mar de Maracaípe, em Ipojuca, perdeu o sentido. Há cerca de três anos, o proprietário do imóvel, chateado com os abusos dos motoristas, fixou o aviso de que os carros parados ali estariam sujeitos a guincho. O mar avançou e, nos últimos meses, as ondas tomaram o lugar dos carros. Para proteger-se da força da água, o proprietário colocou um “paredão” de pedras junto ao muro, atitude comum em praias dos litorais Norte e Sul do estado. E que, diferentemente das praias do Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista, ainda não foram contempladas com projetos para o controle do avanço do mar. Na década passada, cerca de um terço das praias do estado sofriam com a erosão marinha.

Em Maracaípe, a ação das ondas mudou a rotina turística do lugar. A rota dos passeios de bugue para o pontal não é a mesma há meses, pois o mar tragou, em alguns trechos, até cinco metros da faixa de areia, derrubando postes de energia elétrica e parte de imóveis e arrancando a vegetação. “Perdemos um salão de sete metros”, reclamou a gerente da Pousada Brisas, Andréa Didier. Nas últimas semanas, revelou Andréa, as ondas têm engordado a faixa de areia, mas ela vê o “afago” do mar como passageiro. Por precaução, a pousada investiu quase R$ 28 mil em uma parede de pedra. E teme dias mais difíceis.

Esses dias já chegaram em Enseada dos Corais, no Cabo de Santo Agostinho, onde casas e apartamentos à beira-mar sofrem com o problema. A erosão é intensa no trecho mais ao Norte da praia. “Estamos vivendo a pior das situações”, resumiu o comerciante Luciano Silva da Costa, que há uma década reside no lugar. A realidade da praia impressiona. Muros de arrimo e escadas ruíram. Piscinas estão a palmos de despencarem na praia, pois as ondas, à medida que avançaram, escavaram as encostas, que medem até quatro metros de altura. Jardins e coqueiros do casario sumiram, nos últimos meses, em Enseada dos Corais.
diario de pernambuco

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