terça-feira, 9 de julho de 2013

Diferenças no paladar e no bolso

Folha fez um comparativo entre os produtos vendidos na Arena PE e no Arruda

09/07/2013 08:25 - Fernando Barros e Carlos Lopes, Folha de Pernambuco
André Nery/Folha de Pernambuco
ARENA PERNAMBUCO
“Mas tem salsicha dentro?” Foi essa a reação do alvirrubro Newton Azevedo ao receber o cachorro quente, sem muitos ingredientes adicionais, comprado na Arena Pernambuco. O engenheiro de segurança foi mais um, entre outros tantos, que desembolsaram R$ 8 pelo hot dog vendido no estádio. Uma reação normal, visto que o (pequeno) lanche tem um valor acima da média dos estádios locais. E é justamente o preço a principal reclamação de Azevedo. “A qualidade até que é boa, mas é muito caro. Já se paga muito pela cadeira e, agora, pelo lanche também”, revelou o torcedor do Náutico, que ainda gastou mais R$ 4 no refrigerante.
André Nery/Folha de Pernambuco
ARRUDA
Dentre os campeões da preferência gastronômicas das torcidas em dia de futebol está o cachorro quente. Ao longo dos anos, o simples “comeu-morreu” foi ganhando novos ingredientes, deixando de ser apenas um pão aberto no meio com salsicha cozida no molho de tomate e carne moída, mais um vinagrete de verduras. Não que o tradicional cachorro tenha sumido. Eles só ganharam a concorrência de outros tipos, mais abarrotados. No Arruda, no último domingo, ervilha, milho, batata-palha e queijo ralado estavam entre os ingredientes extras que engordaram os sandubas e criaram faixas de preços diferentes, indo de R$ 3,00, os mais simples, a R$ 5,00, os encorpados.
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Não foi só no modelo de se assistir aos jogos que a Arena Pernambuco quebrou paradigmas no Estado. O novo estádio trouxe novidades há muito esperadas no cenário local, como uma infraestrutura impecável, assentos confortáveis, gramado de qualidade, entre dezenas de outros aspectos qualificados dentro do famigerado “padrão Fifa”. Tudo coisa de primeiro mundo. O que o torcedor não contava era que, junto como luxo da Arena, veio também uma subida considerável no preço dos alimentos comercializados no estádio. E, para piorar, o padrão alto parece se encontrar somente nos valores, já que o sabor não está à altura da quantia cobrada.
A Arena trouxe uma nova realidade à gastronomia dos redutos futebolísticos. Além do preço salgado, o cardápio mostra pouca variedade. Além disso, a culinária comum aos estádios pernambucanos parece inexistente dentro do estádio em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife (RMR). Nada de iguarias locais. Espetinhos de frango, carne ou salsichões abriram espaço para cachorros quentes e hambúrgueres com pouco ou quase nenhum ingrediente adicional. Isso sem contar que é terminantemente vetada a entrada de lanches e bebidas na nova casa alvirrubra.
O velho hábito de consumir alimentos e bebidas dentro de uma praça futebolística pesa no bolso. Ao menos no dos espectadores de jogos na Arena Pernambuco. Pelo visto, os altos custos não ficaram restritos apenas à estrutura do local. Para deslocar se até o estádio, assistir a um jogo e, de quebra, comer nas lanchonetes, será preciso escancarar a carteira. Um costume caro. E que, definitivamente, não estava dentro do ‘padrão pernambucano’ de se acompanhar o futebol. Para averiguar isso in loco, a reportagem da Folha de Pernambuco esteve, no último fim de semana, na Arena Pernambuco e no Arruda e fez um comparativo entre os produtos e preços praticados nos dois locais. As diferenças, em alguns casos, são bem grandes.
André Nery/Folha de Pernambuco
ARENA PERNAMBUCO
O alvirrubro Rafael Mesquita Drummond afirma que o torcedor gosta da variedade que se encontrava nos outros estádios da Capital. “Quando ia aos jogos, geralmente comia espetinho ou algo do tipo. O torcedor gosta de ter essas opções. É claro que não se pode comparar isso aqui com um ‘comeu-morreu’, mas eu acho o preço um pouco caro, sim”, opinou o alvirrubro, que gastou R$ 10 em um hambúrguer. Perguntado se o sabor era proporcional ao preço, o torcedor foi taxativo: “Muito boa, a comida não é. Esse aqui é um hambúrguer meia-boca, mas, é o que tem, né?”, analisou. Além do hambúrguer, é comercializado croissant e pipoca na Arena.

    André Nery/Folha de Pernambuco
    ARRUDA
    Além do cachorro-quente “comeu-morreu”, a tradicional gastronomia de um estádio de futebol traz outras opções que fazem parte do menu de todo torcedor inveterado. O folclórico “churrasquinho de gato” disputa com o salsichão e o queijo coalho não apenas uma vaguinha na apertada grelha em cima de um fogareiro, mas o apetite do consumidor. Os valores variam de acordo com o tamanho da carne enfiada no espeto e de alguns complementos, como bacon ou queijo. O do salsichão oscila de preço por outro motivo. Antes de a partida começar, ele custa mais caro. Por ser perecível, normalmente vira produto em promoção após o apito final do árbitro.  
    fonte folha pe

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