quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Polícia e shoppings Recife e RioMar preocupados com “rolezinhos”

Encontros organizados pelas redes sociais estão sendo monitorados

 - Domingos Sávio, do FolhaPE
As administrações dos shoppings RioMar e Recife e a Polícia Militar de Pernambuco estão preocupados com a programação de “rolezinhos”, ações de jovens da periferia promovidas em Shoppings Centers que recentemente viraram discussão em todo o Brasil. Até esta terça-feira (14), dois encontros foram agendados em páginas virtuais. Um no dia 25 de janeiro no shopping RioMar e outro no dia 26 deste mês no shopping Recife. Os shoppings e a Polícia Militar estão realizando o monitoramento das páginas e prometem traçar um plano de ações de segurança com base nas informações obtidas.
As páginas “Rolezinho Shopping Rio Mar” e “Rolezinho Shopping Recife” possuem, ao todo, mais de 500 pessoas que confirmaram presença nos eventos e outras 4 mil convidadas. Entre as publicações das páginas, é possível observar comentários que sugerem uso de drogas, piqueniques em estacionamentos e tumulto no interior dos centros de compras.
Em outros estados brasileiros, os “rolezinhos” realizados registraram, entre a simples diversão dos participantes, protestos, tumultos, roubos, depredações de lojas, algumas prisões e truculência policial e de seguranças, além de muita polêmica relacionada a atos de preconceito. A possibilidade dessas ações se repetirem no Recife preocupa as autoridades. Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Militar, o comando geral da polícia tomou conhecimento dos “rolezinhos” programados e está monitorando as páginas virtuais. No entanto, ações específicas ainda estão sendo estudadas e não há informações sobre a possibilidade do deslocamento de guarnições para o reforço das áreas dos shoppings.
As assessorias dos centros de compras também se pronunciaram. O setor de comunicação do Shopping Recife, por meio de nota, informou que está monitorando o fato e que tomará todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos seus clientes. Já a assessoria do Shopping RioMar disse ter conhecimento dos “rolezinhos” programados e que, no momento, monitora e estuda possíveis ações de segurança.
Os “rolês” ou “rolezinhos” surgiram em São Paulo e rapidamente se espalharam pelo Brasil. Segundo os organizadores dos eventos, geralmente agendados através das redes sociais, o objetivo dos "rolezinhos" seria a pura diversão dos participantes. Entretanto, após os últimos incidentes, as iniciativas foram tomadas por muitos como ações de protesto contra o suposto preconceito existente em grandes centros de consumo contra pobres e negros. Nas cidades brasileiras onde o evento já aconteceu, a maior parcela dos participantes era negra, de baixa renda e morava em periferias. No entanto, nas páginas recifenses de “rolezinhos”, a maioria dos que confirmaram presença são brancos e aparentam pertencer à classe média.
Sobre a possiblidade de existir uma apropriação indevida de ideias originadas em um grupo específico por outro grupo, que pouco teria a ver com a causa, o FolhaPE entrou em contato com o sociólogo e professor Nadilson Silva, que disse temer pelo rumo do movimento. “Não digo que os de maior poder aquisitivo não possam se solidarizar a outras classes. No entanto, um movimento não pode se dissociar dos seus reais interessados. Nos 'rolezinhos', os interessados devem ser os jovens de periferia. O foco do movimento é o condicionamento do lazer ao poder aquisitivo e o preconceito com os de classe mais baixa. Muitas vezes, pela pouca idade, os jovens querem se afirmar no mundo e se aderem à vários discursos. É preciso ter cuidado com isso”, explicou.

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