segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Urbanismo »Lições de Barcelona para repensar o RecifeA partir desta semana, urbanistas e arquitetos vão discutir o exemplo da Espanha para ser aplicado por aquiMarcionila Teixeira

 (AMELIA REYNALDO/DIVULGACAO)

Pensar além dos muros é um desafio. E quando esses limites são obstáculos reais, o esforço é ainda maior. No século 19, um engenheiro catalão chamado Ildefos Cerdà revolucionou o urbanismo mundial ao pôr abaixo os muros medievais que cercavam Barcelona. Mostrou ao mundo, através de suas ideias modernas, lições de como uma cidade tem a capacidade de ser transformada para melhor, seja ela Barcelona ou Recife. De 5 de novembro a 4 de janeiro de 2014, o Museu da Cidade do Recife I, no Forte das Cinco Pontas, recebe a exposição Cerdà e a Barcelona do futuro - realidade versus projeto. Aulas, mesas-redondas e debates também estão previstos dentro da programação paralela. Para os organizadores do evento, o encontro pode funcionar como um aquecimento para a construção de um plano urbanístico de longa duração, que formule uma cidade para os próximos 25 anos, quando o Recife completa 500 anos.

Cerdà fez um plano considerado ousado para uma cidade que já não respirava bem na área de dentro da muralha. Eram casas coladas umas às outras e ruas estreitas. Do lado de fora, o solo rural de plantio e alguns núcleos povoados. Ao propor a construção de vias com vinte metros de largura, sendo cinco metros somente para cada calçada e 10 metros para a faixa de rolamento dos veículos, o engenheiro mostrou que a primeira pessoa em uma cidade é o pedestre. “Ele dizia, ainda, que a calçada devia ser como um cordão de árvores para que as pessoas usufruíssem desse espaço”, destaca Amélia Reynaldo, curadora local da exposição e conselheira do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU).

O engenheiro deixou claro, já naquela época, que estruturar o moderno não significa desrespeitar o passado. “Ainda hoje, a nova verticalidade erguida em Barcelona respeita o que já está instalado de infraestrutura e não o contrário, como acontece em várias capitais”, analisa Amélia Reynaldo.

Cerdà foi mais longe ao pensar os térreos das habitações como espaços que deveriam ser ocupados com serviços, pois assim essas atividades estariam mais próximas dos pedestres. Para ele, as quadras, os espaços edificados, também precisavam ter equipamentos públicos religiosos, de saúde e educação, por exemplo. Não apenas isso, mas a infraestrutura oferecida também deveria ser de água, esgoto e gás. “São todas lições adequadas para os dias de hoje”, compara a conselheira.

Em meio às lições do engenheiro catalão, a curadora da exposição lamenta a ausência de planos urbanísticos recentes para a capital pernambucana. Segundo ela, o último deles é de 1943, que tem entre suas características a tentativa de remodelar a área central do Recife para possibilitar a chegada ao porto através de vias mais largas. “Nos anos 1940 e 1950 tivemos a instalação de uma grande quantidade de loteamentos, que não considero parte de um plano urbanístico. Mas acredito que o Recife é uma cidade com grande capacidade de transformação”, analisa.
diario pe

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